Aquecimento
Global
4o.
RELATÓRIO DO IPCC - em Português (versão
MCT)
Contribuição
do Grupo I
Contribuição
do Grupo II
FOTOS
GRÁFICOS
NOTÍCIAS
- O risco climático é real e presente
- Ecossistemas migrarão para acompanhar clima
- COP 15
-
Risco Criança e a sobrevivência da espécie
-
Nível do mar subirá mais do que o previsto
- Aquecimento global - discussão na 61a. reunião da SBPC
- Aquecimento global mata 315.000 pessoas ao ano
-
Antártica - degelo acelerado
-
Conferência internacional em BH
-
Cousteau defende ações para frear o aquecimento global
-
Redução no uso de combustíveis poderia
frear aquecimento
-
Elevação do nível do mar pode ser maior do que o esperado
- Aquecimento fará nível do mar subir 1 m até
o fim do século
- Mudança Climática - também uma questão
jurídica
- Obstáculos na luta contra a mudança climática
- O impacto das mudanças climáticas na infância
- Costa Rica 2021 - neutro em emissão de CO2
-
TOP 10 - Os dez mais
-
Global Combat
-
Elevação do nível do mar no Rio de Janeiro
- Aquecimento global - um desafio moral
- VI Convenção sobre Meio Ambiente - Havana - Cuba
-
Mudanças climáticas provocam mortes
-
Meio ambiente e prevenção de doenças
-
A desertificação e as mudanças climáticas- um desafio
mundial
- ONU - Acordo sobre mudanças climáticas
- Confira os principais pontos
do relatório
- Aquecimento afetará todo o mundo
- EUA rejeitam corte de emissão de CO2
- Estratégia de Bush para
escapar às críticas
- Governos têm 5 anos para evitar catástrofe
climática
- Computadores "escondem" parte da crise
climática
- ONU adverte sobre perigos do Biocombustível
- Aquecimento global criará novo clima na Amazônia
- Mudança climática e propagação
de doenças
- ONU sugere fim de construções no nível
do mar
- Efeito estufa pode criar um Brasil
com desertos e furacões
- Planeta registra janeiro mais quente da história
- Temperatura do planeta aumentará até
4ºC até 2100
- 2007 será o ano mais quente já registrado
- Relatório da ONU culpa homem pelo aquecimento
global
- Impacto econômico do aquecimento global
- O Brasil no ranking das mudanças do clima
- Aquecimento global acelera degelo e eleva nível
do mar
- Efeito estufa turbinou furacões em 2005
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A COP-15 – Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, realizada de 7 a 18 de dezembro de 2009, em Copenhague (Dinamarca) foi vista com expectativas em todo o mundo, tanto por governos quanto por empresas e organizações não governamentais e demais interessados nas informações sobre o clima do planeta. No entanto, apergunta ainda permanece: Como o mundo vai resolver a ameaça do aquecimento global à sobrevivência da civilização humana. De acordo com o 4º relatório do IPCC – Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, órgão que reúne os mais renomados cientistas especializados em clima do mundo, – publicado em 2007, a temperatura da Terra não pode aumentar mais do que 2º C, em relação à era pré-industrial, até o final deste século, ou as alterações climáticas sairão completamente do controle. Para frear o avanço da temperatura, é necessário reduzir a concentração de gases de efeito estufa na atmosfera, já que são eles os responsáveis por reter mais calor na superfície terrestre. O ideal é que a quantidade de carbono não ultrapassasse os 350ppm, no entanto, já estamos em 387ppm e esse número cresce 2ppm por ano. Este é o principal tema da COP-15. Diminuir a emissão de gases de efeito estufa implica modificações profundas no modelo de desenvolvimento econômico e social de cada país, com a redução do uso de combustíveis fósseis, a opção por matrizes energéticas mais limpas e renováveis, o fim do desmatamento e da devastação florestal e a mudança de nossos hábitos de consumo e estilos de vida. Por isso, até agora, os governos têm se mostrado bem menos dispostos a reduzir suas emissões de carbono do que deveriam. No entanto, se os países não
se comprometerem a mudar de atitude, o cenário pode ser desesperador.
Correremos um sério risco de ver: O que os países deverão negociar? A definição de como os países responsáveis pela manutenção das florestas em pé podem vir a ser recompensados (por aqueles que mais desmatam) também deverá estar em pauta. Ao mantê-las protegidas, essas nações evitam a emissão dos gases poluentes. Nesse sentido, as tendências dão conta da criação de um fundo internacional alimentado por contribuições voluntárias. Outra alternativa é a geração de créditos de carbono para serem negociados no mercado. Obrigação e voluntários Como o Protocolo de Kyoto, estabelecido em 1997, determinou metas obrigatórias de 5% de redução das emissões de gases de efeito estufa para a União Européia e mais 37 países industrializados (de 2008 a 2012), as nações em desenvolvimento, como Brasil, China e Índia não foram obrigadas a reduzir os poluentes que emitem. No entanto, seus representantes deverão ser cobrados a firmarem compromissos significativos em âmbito nacional, durante a COP-15. [Topo]
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| BH
sediará lançamento de campanha contra aquecimento global Cientistas, lideranças ambientais e empresariais
do Brasil e do exterior se reunirão no início do próximo
mês, em Belo Horizonte, para uma conferência preparatória
que visa o lançamento de uma campanha mundial pela antecipação
de metas para frear o avanço do aquecimento global. Entre as
metas está a redução em até 80% da emissão
de CO2 até 2050. O prazo é considerado muito longo. Os
cientistas calculam que mesmo com o cumprimento dos objetivos nesse
período, a temperatura média mundial poderá subir
4 graus, o que seria um ameaça geral ao ecossistema. A intenção
é que o prazo seja antecipado para 2020.
A primeira conferência "2020 Climate Leadership Campaign" acontecerá na capital mineira entre os dias 4 e 7 de agosto. O evento é organizado pela organização ambiental State of the World Forum (SWF), cujo presidente, Jim Garrison, se reuniu hoje (23) com o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), no Palácio Mangabeiras. "Isso significa um esforço muito maior do que aquele que estava sendo pretendido. A ideia central é assinalar a urgência das medidas que precisam ser adotadas no plano internacional com relação ao aquecimento global e as mudanças de clima", disse o secretário de Estado de Meio Ambiente, José Carlos Carvalho, que também participou do encontro. De acordo com os organizadores, as mensagens e ações definidas na conferência mineira serão "refinadas" durante um encontro em Washington, em fevereiro de 2010. O Brasil deverá ser apontado como um dos líderes globais da campanha contra o aquecimento global. Apesar de demandar decisões governamentais, a proposta é focar principalmente nas pessoas, estimulando o conceito de "líderes climáticos". ae
- Diário do Sul - 23.07.09 |
Cientistas
discutem as causas do aquecimento global na 61ª Reunião da
SBPC Independente da posição de cada pesquisador, no entanto, é consenso que a preservação do ambiente é fundamental. “Conservação ambiental é uma necessidade, independente se o clima vai aquecer ou esfriar”, afirma Luiz Carlos B. Molion, físico da Universidade Federal de Alagoas (UFAL). Metano, óxido nitroso e gás carbônico são os principais gases responsáveis pelo efeito estufa e, segundo o pesquisador Paulo Artaxo, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), as suas concentrações vêm aumentado consideravelmente devido à ação humana. “Nos últimos 150 anos, concentrações muito mais elevadas [de carbono na atmosfera terrestre] foram encontradas, devido à queima de combustíveis fosseis”, diz Artaxo. Segundo o pesquisador, os aumentos observados no gás carbônico atmosférico refletem a atividade humana a partir da Revolução Industrial. “Para qualquer região do globo, você só explica os valores observados de temperatura se você levar em conta a ação do homem, o que mostra que muito provavelmente o homem é responsável por esta alteração“, diz Artaxo. “O importante é entender que sempre que as concentrações de dióxido de carbono [na atmosfera terrestre] sobem, a temperatura também sobe. As duas questões estão intrinsecamente ligadas”, argumenta. Controvérsias Os
dados apresentados pelo último relatório do IPCC, no entanto,
não são tão claros para alguns pesquisadores. Molion,
por exemplo questiona se o gás carbônico realmente é
o culpado pelo aquecimento – o que implica na responsabilidade da
humanidade no processo de aquecimento global. Para ele, os gases atmosféricos
não comandam a temperatura global. “O aumento de CO 2 na
atmosfera é resultante do aumento de temperatura”, afirma.
“Tem muitas outras coisas que podem interferir nos números
[do aquecimento]”, defende. Para Carlos Nobre, pesquisador sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as catástrofes climáticas são, de fato, decorrentes da variabilidade natural. No entanto, o aquecimento global tende a acelerar ainda mais as catástrofes naturais. “Nenhum bom físico atmosférico duvida da existência do efeito estufa. Se não houvesse esses gases na atmosfera, nós estaríamos completamente congelados”, diz Nobre. Segundo o pesquisador, são os gases atmosféricos, principalmente o vapor d´água e o gás carbônico, que mantém e evitam mudanças mais bruscas na temperatura terrestre. E, se as concentrações desses gases aumentam, a temperatura sobe. Como, quando, onde, em que velocidade e em que proporção isso vai ocorrer é mais complicado dizer, segundo o pesquisador. Nobre
lembrou também que a Amazônia é muito importante como
fator de estabilização climática planetária
porque é um enorme reservatório de carbono acima do solo.
Segundo o pesquisador, as chuvas na Amazônia são a principal
forma que a natureza encontrou para colocar energia solar na atmosfera
e gerar todas as circulações atmosféricas que nós
temos no planeta. “Perturbações dessas chuvas também
podem perturbar o clima em diversas partes do planeta”, afirma.
Cerca de 1,6 bilhões de toneladas de carbono presente na atmosfera
vem do desmatamento tropical. “Nossa maior contribuição
[para a diminuição do aquecimento global] é a redução
do desmatamento”, afirma. |
Cousteau
defende ações urgentes para frear efeitos do aquecimento
global O oceanógrafo Jean-Michel Cousteau defende medidas urgentes para desacelerar os processos decorrentes do aquecimento global, entre os quais, o aumento da temperatura dos oceanos e seu consequente avanço sobre o continente. Em entrevista durante a 1ª Conferência Hemisférica de Proteção Ambiental Portuária, nesta quarta-feira (22) em Foz do Iguaçu, o ambientalista salientou a importância da educação ambiental como uma das formas de salvar o planeta. “Nós temos as ferramentas para por em prática medidas que possam corrigir todos os erros cometidos no passado”, afirmou Jean-Michel referindo-se ao processo de degradação ocorrido nas últimas décadas. “Se pararmos de cometer os erros que estamos cometendo, as mudanças no meio ambiente diminuirão seu ritmo e correrão em seu ritmo normal”. Jean-Michel estima que, dentro de duas ou três décadas, o aumento do nível do mar obrigará a desocupação das regiões costeiras no mundo inteiro. “Quantas milhões de pessoas que terão que se mudar das cidades litorâneas e quantos bilhões em recursos serão necessários para mudar toda a infraestrutura (o que inclui os portos) hoje existente?”, pontuou. Para o pesquisador, que já percorreu vários países com o trabalho da Ocean Futures Society (organização não-governamental ambientalista), todos os oceanos e rios do Planeta devem ser tratados como um sistema hídrico único, já que qualquer dano ambiental em um determinado ecossistema terá efeito sobre os demais. “O derretimento do gelo da Cordilheira dos Andes contribui com a formação do Rio Amazonas, que responde por 20% de toda água doce do mundo”, exemplificou Jean-Michel. Jean-Michel enfatizou que os mares precisam de um cuidado especial. “Estamos usando o oceano como uma lata de lixo. Não é um problema apenas do Brasil. É um problema mundial. E isso tem que mudar. Para isso, é preciso educação. Precisamos educar as nossas crianças, mas também formadores de opinião, políticos e os responsáveis por tomar decisões.” Jean-Michel Cousteau, filho do célebre oceanógrafo Jacques Cousteau fará palestra magna na 1ª Convenção Hemisférica de Proteção Ambiental Portuária, em Foz do Iguaçu, na noite desta quarta-feira. ae
- 22.07.09 |
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Aquecimento
global mata 315.000 pessoas ao ano O aquecimento global já é responsável
pela morte de 315.000 pessoas por ano.
De acordo com um relatório divulgado nesta sexta-feira pelo Fórum Humanitário Global, grupo liderado pelo ex-secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) Kofi Annan, as mortes provocadas pelas mudanças climáticas são decorrentes de fatores como a fome, doenças e desastres naturais. O
relatório diz ainda que o número de mortes deve subir para
500.000 até 2030. A publicação da pesquisa, que conta com o apoio de vários institutos e agências internacionais, faz parte de uma estratégia que busca "pressionar" os governos para alcançar um acordo na Cúpula Mundial do Clima, que será realizada em dezembro, em Copenhague, na Dinamarca. Annan lamentou que a crise econômica tenha relegado a luta contra a mudança climática a um segundo plano. "A mudança climática não vai esperar", afirmou. O estudo foi elaborado a partir da análise de informações públicas sobre desastres naturais. Para o ex-secretario da ONU, o problema do aquecimento também representa uma ameaça à saúde, à produção de alimentos e à segurança no mundo. O relatório indica que as consequências mais graves do aquecimento global afetam, sobretudo, as populações de países pobres - 99% das pessoas que morrem em razão das consequências da mudança climática estão em países em desenvolvimento. Esses países, porém, emitem apenas 1% do CO2 que polui a atmosfera terrestre. Nos próximos 20 anos, o número de pessoas que sofrem de fome crônica deverá saltar de 45 milhões para 90 milhões. Ao mesmo tempo, é esperada uma redução na produção de alimentos e elevação dos preços em cerca de 20%. As áreas mais afetadas serão o Saara, o Oriente Médio, a Ásia Central, a África Subsaariana, o sul e sudeste da Ásia, a América Latina, partes dos Estados Unidos, países localizados em pequenas ilhas e a região do Ártico. A Austrália deve ser o país que mais sofrerá com os efeitos negativos do clima. Nos últimos 15 anos, o aumento de temperatura e a diminuição de chuvas causaram sua pior seca já registrada. Veja/Reuters
29.05.09 |
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Mar
subirá 1,80 m até 2100, diz estudo Medições feitas por francesa comprovam que velocidade do fenômeno -alimentado pelo aquecimento global-aumentou para o dobro A velocidade
com que o nível do mar está subindo agora é quase
o dobro daquela verificada no século 20. Já se sabia que
o fenômeno -alimentado pelo aquecimento global- era grave, mas os
dados mais recentes, coletados desde 1993, mostram que a elevação
da linha d'água até 2100 será de 1,80 metro, mais
do que o dobro da prevista pelo painel do clima da ONU. Um
metro a mais Folha
Online - 22.02.09 |
Costa Rica dá passos concretos para ser primeiro país neutro em emissão de CO2
Antes
de 2021 Costa Rica se transformará no primeiro país do mundo
neutro em emissões de dióxido carbono (CO2), como parte
da estratégia desta pequena nação centro-americana
para combater o aquecimento global. O
ministro de Ambiente e Energia da Costa Rica, Roberto Dobles, explicou
a Efe que o país já goza de uma reputação
importante no mundo como um protetor da natureza, mas que ante as ameaças
do aquecimento se devem tomar novas e imediatas ações. "Estamos em uma situação de franca deterioração que continuará até que o mundo se ponha de acordo para enfrentar o aquecimento, mas enquanto isso não podemos cruzar osbraços", manifestou Duplos. A
estratégia costa-riquenha para diminuir a zero o impacto de sua
emissão de gases de efeito estufa começa com um inventário
por regiões em todo o país, para medir quanto CO2 se está
enviando à atmosfera, detalhou o ministro. O
país já registrou a marca internacional "C-Neutro",
que servirá como um selo de garantia a instituições,
comunidades e empresas que alcancem os objetivos de reduzir a zero suas
emissões de gases de efeito estufa. Empresas como Coca Cola Interamerican, Chiquita e Dole, Cemex, Holcim, além de universidades, hotéis e locadoras de autos se uniram ao esforço. As autoridades esperam que esse entusiasmo contagie o mundo inteiro. EFE, 28.8.07 |
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1)
ESTADOS UNIDOS: segundo o Greenpace este país gera 33%
do total de gases contaminantes que aumentam o aquecimento global. O
uso desmedido que faz de combustíveis fósseis (gás,
carvão e petróleo) em processos industriais, o transforma
no principal responsável. Mesmo participando de negociações,
não se incorporou ao Protocolo de Kioto (único mecanismo
para resistir a mudança climática global), já que
afetava sua economia e não exigia às nações
em vias de desenvolvimento a diminuição nos índices
de contaminação que geravam. Este país apóia
a diminuição voluntária, sem estabelecer-se metas
nem prazos.
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ANO DE 2007 SERÁ O MAIS QUENTE JÁ REGISTRADO, DIZEM ESPECIALISTAS
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Mudanças
no clima
Fotos comparativas mostram aterações
ambientais
O fotógrafo americano Gary Braasch reúne imagens de mudanças
ambientais desde 1999. 
Alguns cientistas acreditam que o derretimento da geleira Upsala, na Argentina, é causado pelo aquecimento global. Outros teimam em insistir que ele se deve a mudanças naturais na região.
Mudança glacial

A foto em branco-e-preto à esquerda, de 1859, é da geleira do
Reno, em Valais, na Suíça, e mostra um vale coberto de gelo.
Em 2001, a geleira havia encolhido cerca de 2,5 km.
Maré
mais alta
Alguns cientistas acreditam que o aquecimento global vai provocar mais tempestades
violentas - o que, por sua vez, aumentará a erosão costeira.
Esta parte do litoral de Cabo Hatteras, no Estado americano da Carolina do Norte, foi fotografada em 1999 e 2004.
Ilhas
O Grupo Intergovernmental sobre Mudança Climática,
composto de milhares de cientistas independentes, prevê que o nível
do mar pode subir de 9 a 88 centímetros no próximo século.
Isto ameaçaria arquipélagos como o de Tuvalu, no Pacífico.
Estas imagens mostram o efeito de marés mais altas do que o normal.
Neve
Com o aumento da temperatura no planeta, regiões montanhosas podem
ter menor precipitação de neve.
Estas fotos mostram o Monte Hood, no Estado americano de Oregon, no final
do verão em 1985 e em 2002.

Insetos
Insetos
que se alimentam de árvores provavelmente vão se beneficiar
de um aumento da temperatura da Terra e se reproduzir cada vez mais.
Estas imagens mostram danos causados por insetos em árvores no Estado
americano do Alasca.
Fonte:bbc.02/2007
Imagem: Gary Braasch ©
Como as temperaturas devem aumentar no próximo século
Veja
as mudanças previstas pela ONU
Cientistas de mais de 130 países indicaram no ano de 2007 em um relatório
do IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas, na
sigla em inglês) que é “muito possível” que
a atividade humana seja a causa das mudanças climáticas. Os
gráficos abaixo ilustram as previsões sobre como as temperaturas
do planeta devem aumentar no próximo século.

O IPCC diz que as temperaturas têm grande chance de aumentar de 1,8ºC a 4ºC até 2100. Mas há também a possibilidade de que essa variação seja de 1,1ºC a 6,4ºC. Os mapas acima mostram como três cenários de variações de temperatura podem afetar diferentes partes do planeta.
Os cenários A1B, A2 e B1, usados para criar os mapas acima, são baseados em dados econômicos e tecnológicos. Esses cenários consideram diferentes aumentos populacionais, o uso de combustíveis fósseis e alternativos e o conseqüente crescimento na emissão de CO2. Os resultados estão nos gráficos abaixo:

O dióxido de carbono é o principal gás do chamado efeito estufa e o aumento da sua emissão desde a Revolução Industrial é claro. A queima de carvão, o uso do petróleo e o desmatamento são atividades que liberam CO2 na atmosfera.
Outros dois importantes gases de efeito estufa são o metano e o óxido nitroso. Ambos estão muito menos presentes na atmosfera que o CO2, mas têm um efeito muito mais devastador e sua presença também está crescendo. O metano provoca 20 vezes mais danos que o CO2, enquanto o óxido nitroso é 300 vezes mais forte.
BBC, 13.11.07
Histórico
A
temperatura da Terra sofreu um aumento de cerca de 0,6ºC no século
passado.
A década de 90 foi a mais quente desde que os registros começaram
a ser feitos, diz o Painel Internacional sobre Mudança Climática
(IPCC, em inglês).

Cientistas dizem que as temperaturas globais médias têm variado
menos de 1ºC desde o começo da civilização.
Apesar disso, elas flutuaram muito antes dessa época.
O IPCC prevê um aumento global de temperatura entre 1,4ºC e 5,8ºC
até o ano 2100.

Nível
do mar
Acredita-se que o aumento das temperaturas provoque uma elevação
do nível do mar na medida em que o derretimento das calotas polares
leve a um aumento do volume de água dos oceanos.
O IPCC diz que o nível do mar aumentou entre 10 e 20 centímetros
no mundo todo durante o século 20.
O painel prevê uma elevação entre 9 e 88 centímetros
até 2100.
.
Camada
polar
De acordo com o IPCC, a espessura da camada de gelo do Pólo
Norte sofreu uma redução de 40% nas últimas décadas
no verão e no outono.
A cobertura gelada da terra diminuiu em 10% desde a década de 60, e
as geleiras sofreram uma retração.
.
Emissões
A maioria dos cientistas mais ortodoxos acredita que o aumento da emissão
de gases que provocam o efeito estufa - particularmente dióxido de
carbono - contribuem para o aquecimento do planeta.
Este gráfico mostra como níveis de dióxido de carbono
aumentaram com a industrialização no mundo.

Futuro
Este mapa parte do princípio de que a atual tendência de emissões
vai continuar, com crescimento econômico moderado e poucas medidas para
reduzir os gases do efeito estufa.
Ele prevê maior aumento de temperatura nas regiões polares do
norte da Terra, Índia, África e partes da América do
Sul.

Fonte: BBC – 05.02.07
Impacto Econômico do Aquecimento
Global
Relatório faz alerta sobre danos 'imensos'
do aquecimento global
O estudo afirma que enchentes e secas serão mais comuns
O relatório sobre o impacto econômico do aquecimento global apresentado
nesta segunda-feira em Londres afirma que o aquecimento pode causar o mais
profundo e extenso dano à economia mundial já visto. E, uma
vez que o estudo é solidamente fundamentado em argumentos científicos,
fica difícil discordar.
O documento foi escrito por Nicholas Stern, um renomado economista, que já
foi economista-chefe do Banco Mundial.
Stern não é um homem dado a exageros. Mesmo assim, ele diz que
“nossas ações nas próximas décadas podem
causar danos imensos à atividade econômica e social, neste século
e no próximo, com efeito similar ao que tiveram as grandes guerras
e a depressão econômica na primeira metade do século 20”.
Seu relatório indica alguns caminhos a serem seguidos para minimizar
os possíveis problemas sócio-econômicos.
O seu principal argumento é o de que gastar grandes somas de dinheiro
agora para reduzir as emissões de carbono trarão dividendos
numa escala colossal. Logo, seria completamente irracional não gastar
esse dinheiro já.
Contudo, ele alerta para o fato de que já estamos atrasados para evitar
todas as conseqüências deletérias do problema.
As perspectivas são mais sombrias para a África e para os países
em desenvolvimento, e que as nações mais ricas têm que
prover suporte financeiro e tecnológico para enfrentar o problema.
Decisões duras
Stern acredita que é viável ter como meta uma estabilização
dos níveis das emissões de carbono na atmosfera entre 500 a
550 ppm (sigla de partes por milhão, medida de concentração
de gases) de dióxido de carbono por volta do ano de 2050.
Esse valor é equivalente ao dobro da era pré-industrial e é
comparável aos 430 ppm existentes hoje. Mas mesmo assim, os efeitos
das emissões de carbono serão sentidos na mudança climática.
Para atingir esses números, as emissões de carbono por unidade
de produto interno bruto (PIB) na atmosfera precisam ser cortadas em cerca
de 75%.
Mais pobres devem ser os mais atingidos pelo aquecimento global
Além de diminuir a dependência de carbono que o setor energético
ainda tem em cerca de 60% a 70%, será necessário interromper
o processo de desflorestamento, que responde por 18% das emissões totais
– mais do que todas as emissões de transporte. E também
serão necessários cortes profundos nas emissões de transporte.
O custo de todas essas medidas deve chegar a 1% do PIB global até o
ano de 2050. Em outras palavras, o mundo será 1% mais pobre do que
poderia ser, uma cifra considerável, mas longe de ser proibitiva.
Para ser claro, o mundo não vai ficar 1% mais pobre de uma vez, mas
o crescimento global será mais lento.
O melhor modo de se olhar para esse 1% é como um investimento, porque
o preço de não se tomar medida nenhuma é incrivelmente
mais alto.
Estimativas erradas
O cenário inicial de Nicholas Stern é o modelo econômico
usado em outros estudos, onde um acréscimo de 2 a 3 graus na temperatura
levaria a uma perda de até 3% da produção global, comparado
com o que esta seria se o clima não tivesse mudado. Mas Stern diz que
essas estimativas estão erradas.
Ele acredita que uma subida de cinco a seis graus na temperatura do planeta
é uma “possibilidade real” para os próximos cem
anos.
Tendo usado probabilidade de diferentes níveis de aquecimento global
no seu modelo, o economista diz que “manter a produção
como está” levaria a uma redução permanente no
consumo per capita em cerca de 5%.
Só que essa estimativa não inclui o custo financeiro do impacto
direto na saúde humana e no meio-ambiente por parte do aquecimento
global, ou dos custos desproporcionais nas regiões pobres do mundo.
A previsão anterior também ignora os chamados “mecanismos
de resposta”, pelos quais o efeito estufa passe a ser mais intenso conforme
a temperatura se elevar.
Preço injusto
Colocando todos estes fatores juntos, Stern chega à sombria conclusão
de que se nada for feito para se combater a mudança de clima, a redução
de consumo por pessoa pode chegar a 20%.
Em outras palavras: todas as pessoas do mundo teriam 1/5 a menos do que teriam
tido sem a questão climática.
Pior ainda, diz Stern, é o fato de que nem as conseqüências
do problema seria divididas igualmente, mas os países pobres seriam
os mais afetados.
Logo, a saída mais lógica, segundo Stern é: gaste 1%
do PIB mundial hoje para ser 20% mais rico no futuro. É simples assim.
Há uma outra maneira de se apresentar essa relação custo-benefício.
Stern diz que se você pegar, em valores de hoje, os benefícios
de se estabilizar o “efeito estufa” até 2050, e tirar os
gastos, você ainda acaba com um “lucro” de US$ 2.5 trilhões
(R$ 5.34 trilhões, aproximadamente).
Olhando pelo aspecto econômico, o combate imediato do aquecimento global
parece um excelente negócio.
Obstáculos
Para Stern, corte nas emissões de carbono teriam de ser de 75%
Dito isso, há grandes obstáculos para colher esses dividendos.
Um problema óbvio é o de que requer uma ação coordenada
e coletiva de todos os governos do mundo – e chegar aos consensos necessários
pode não ser assim tão fácil.
Para ser imparcial, Stern diz que os países ricos deverão assumir
entre 60% e 80% da redução de emissões de carbono entre
1990 e 2050. Mas ainda que se chegue a um acordo sobre isso, qual a melhor
maneira de corrigir o imenso rombo econômico que está nos levando
para um caminho de pobreza? Como começaríamos a pagar um preço
pelas emissões de carbono que realmente reflita com precisão
os custos econômicos e sociais ou um preço que inclua o valor
de uma mudança no clima que acontecerá no futuro?
Segundo Stern, há duas alternativas:
A primeira é por meio da cobrança de um imposto. A outra, por
meio de um racionamento das emissões de carbono que todo negócio
terá – individual ou não – criando um mercado global.
Essa medida permitiria que aqueles que quisessem fazer mais emissões
do que o permitido pudessem comprar esse direito – e os que fossem emitir
menos, de vender.
Outro fator fundamental é o de fazer com que os governos passem a encorajar
pesquisa e desenvolvimento de tecnologias “limpas”. Este encorajamento
viria através de legislações – como a imposição
de padrões mais rigorosos para consumo de energia – ou educação.
Problemas adiante
Podemos nos preparar para uma série de choques causados pelos efeitos
da mudança de clima – porque eles parecem inevitáveis.
Provavelmente ocorrerão mais secas e enchentes, um número maior
de tempestades é esperado e há um risco de aumento da fome em
regiões mais pobres, e assim, seria uma boa idéia monitorar
melhor as condições climáticas ou então, nos adaptar
para este novo mundo.
Isso significaria reforçar as estruturas dos edifícios para
que eles agüentem condições climáticas mais extremas,
investir em novos diques e dar suporte aos mercados financeiros para viabilizar
novas apólices de seguro contra desastres ligados ao clima.
Tudo isso será muito caro – especialmente para os países
pobres. Logo, diz Stern – e é difícil discordar –
há uma obrigação moral por parte dos países ricos
em ajudar os pobres a se proteger.
Nicholas Stern - 02/2007
Brasil
fica em 8º em ranking sobre mudanças do clima
Recusa brasileira em discutir metas para desmatamento irrita ONGs
O Brasil ficou em oitavo lugar num ranking de 56 países que mede o
desempenho deles em relação aos desafios das mudanças
climáticas.
O ranking, organizado pela entidade alemã Germanwatch e pelo grupo
de ONGs Rede de Ação sobre o Clima – Europa (CAN-E, na
sigla em inglês), foi divulgado nesta segunda-feira em Nairóbi,
no Quênia, durante a Conferência da ONU sobre Mudanças
Climáticas.
Brasil subiu uma posição em relação ao ranking
do ano passado, o único que havia sido feito até então.
No entanto, a comparação entre as posições no
ranking pode ser enganosa, porque o número de países avaliados
aumentou de 53 para 56 entre um ano e outro.
O desempenho do Brasil é irregular entre as áreas abordadas
na composição do ranking. O país foi muito bem avaliado
no critério de emissões de gases do efeito estufa: o Brasil
produz relativamente pouco deles porque tem uma base energética limpa
(principalmente hidrelétricas) e a tendência é de pouco
aumento no futuro.
Por outro lado, o país ficou entre os cinco países com políticas
públicas apontadas como mais negativas pela entidade em relação
às mudanças climáticas.
Como as políticas públicas têm um peso de apenas 20% no
cômputo geral do ranking, o Brasil conseguiu manter sua posição
entre os dez países com melhor desempenho, embora ficando atrás,
por exemplo, da Argentina (7º lugar) - que emite relativamente mais gases
do que o Brasil, mas tem políticas públicas consideradas mais
positivas.
“Na área de políticas públicas, tanto em questões
domésticas como nas negociações internacionais, o Brasil
poderia estar bem melhor se fosse uma força mais progressista em relação
às negociações de mudanças climáticas.
Podemos dizer que é basicamente culpa do governo brasileiro que o país
não esteja bem nesta avaliação”, disse diretor
da CAN-E, Matthias Duwe.
Brasil
A delegação brasileira em Nairóbi não quis comentar
o ranking divulgado pelas ONGs.
Os dez melhores
1. Suécia
2. Grã-Bretanha
3. Dinamarca
4. Malta
5. Alemanha
6. Argentina
7. Hungria
8. Brasil
9. Índia
10. Suíça
Fonte: Germanwatch e Rede de Ação sobre o Clima – Europa
(CAN-E)
O Brasil já havia sido criticado na semana passada por ser –
na visão de muitas organizações internacionais –
um dos países que não querem a revisão do Artigo 9 do
Tratado de Kyoto, para estabelecer metas de cortes de emissão de gás
carbônico para depois de 2012.
Na sexta-feira o Brasil ganhou, por conta desta controvérsia, o “prêmio
Fóssil do Dia”, concedido diariamente ao país considerado
como o de atuação mais negativa nas atividades da conferência.
Mas o chefe da delegação brasileira em Nairóbi, Luiz
Alberto Figueiredo, diz que as ONGs que concederam o “prêmio”
entenderam mal a posição do Brasil, que na verdade aceitaria
discutir futuro mas sem admitir a reabertura de qualquer decisão já
estabelecida no protocolo de Kyoto.
“Explicamos essa posição para as ONGs (que concedem o
Fóssil do Dia) e esperamos que eles tenham entendido. A questão
é que o Brasil defende a estratégia de negociações
adotada no ano passado em Montreal e não queremos mudanças de
última hora”, disse o diplomata.
Os dez últimos
46. África do Sul
47. Austrália
48. Coréia do Sul
49. Irã
50. Tailândia
51. Canadá
52. Uzbequistão
53. Estados Unidos
54. China
55. Malásia
56. Arábia Saudita
Germanwatch e Rede de Ação sobre o Clima – Europa (CAN-E)
Outra coisa que incomoda as ONGs é a recusa do Brasil em estabelecer
qualquer tipo de meta a ser cumprida pelos país, seja em relação
a emissões de gases do efeito estufa, seja em relação
a temas como o desmatamento.
Florestas
O diretor-executivo da German Wacth, Christopher Balls, diz que a redução
no desmatamento no Brasil não teve impactos positivos no ranking preparado
pela entidade porque não foi algo decorrente de políticas públicas,
mas apenas de desaquecimento na atividade econômica.
“Se o Brasil instituir uma política que efetivamente reduza o
desmatamento isso sim teria impactos positivos na classificação
do país”, diz ele.
No topo do ranking deste ano ficou a Suécia, seguida da Grã-Bretanha
e da Dinamarca. Os países com pior desempenho foram a Arábia
Saudita, a Malásia, a China e os Estados Unidos.
“Mas é importante explicar que este é um ranking comparativo,
mostrando que países estão melhor e quais estão pior
mas ninguém está tão bem. Se fosse uma competição,
nenhum desses países ganharia a medalha de ouro”, disse Matthias
Duwe.
Paulo Cabral - Enviado especial a Nairóbi - 13.11.2006
AQUECIMENTO
GLOBAL ACELERA DEGELO E ELEVA NÍVEL DO MAR
A equipe usou um satélite da Nasa para medir variações
da gravidade na Groenlândia
WASHINGTON - O degelo na Groenlândia triplicou nos últimos anos,
em uma nova evidência do aquecimento global, afirma estudo publicado
na edição desta semana da revista Science. Outro trabalho, publicado
na mesma edição, destaca que a precipitação de
gelo na Antártida se mantém estável nos últimos
anos.
"A capa de gelo da Groenlândia derrete num ritmo acelerado, a três
vezes a velocidade registrada antes de 2004", diz Jianli Chen, chefe
da equipe que realizou o estudo. Ele acrescenta que sua investigação
confirma resultados de outros cientistas, indicando um "efeito estufa"
que se faz sentir por todo o mundo.
Um dos trabalhos anteriores, publicado em maio, afirmava que o aumento global
das temperaturas havia elevado a velocidade com que as geleiras da Groenlândia
se derretem no Atlântico. A água liberada dessa forma atua como
lubrificante, acelerando o desprendimento de icebergs da capa de gelo.A equipe
de Chen usou um satélite da Nasa para medir variações
da gravidade na Groenlândia, e comparou os dados de abril de 2002 a
novembro de 2005. O levantamento indicou a perda de 240 km3 de gelo anualmente.
Esse derretimento pressupõe um aumento do nível do mar da ordem
de 0,6 mm ao ano.
O outro trabalho publicado na Science, realizado por um grupo internacional, indica que a acumulação de neve da Antártida, ao longo dos últimos 50 anos, manteve-se praticamente estável. Essa conclusão derruba as alegações de que um aumento da neve no continente antártico poderia compensar o derretimento de geleiras em outras partes do mundo.
OESP - EFE -10 de agosto de 2006
Efeito
estufa turbinou furacões de 2005, diz estudo
Um estudo publicado em 27.06.06 por uma dupla de climatologistas oferece dados concretos para aquilo que ambientalistas vinham tentando fazer desde o final do ano passado: culpar o aquecimento global pela temporada de furacões devastadores em 2005.
O
trabalho, escrito por Kevin Trenberth e Dennis Shea, do Centro Nacional para
Pesquisa Atmosférica dos EUA, calcula que ações humanas
foram a razão de metade do aumento da temperatura média das
águas do Atlântico Norte tropical (0,9º C). Foi esse o fenômeno
que ofereceu combustível para eventos climáticos intensos, como
o furacão Katrina, que devastou Nova Orleans em setembro do ano passado.
O estudo foi uma resposta dos autores a cientistas que se diziam céticos
com relação ao papel térmico das emissões de dióxido
de carbono nas temperaturas do Atlântico. Segundo esse grupo, o aquecimento
recorde das águas do Atlântico em 2005 se deveu a um fenômeno
chamado oscilação multidecadal, um ciclo natural com períodos
de 60 a 80 anos, ao final dos quais a água apresenta maior temperatura.
O estudo, publicado no periódico "Geophysical Research Letters"
também descarta a hípotese de que efeitos colaterais do El Niño
--o superaquecimento das águas equatoriais do Pacífico ao fim
de cada ano-- teriam sido os principais vilões térmicos dos
furacões.
Subtração
Para
derrubar essas teorias, a dupla usou cálculos relativamente simples.
"Subtraímos a cota do aquecimento global do aumento da temperatura
da superfície oceânica no Atlântico Norte, e com isso isolamos
a contribuição da oscilação multidecadal e do
El Niño", disse Trenberth à Folha.
O resultado da conta é que o aquecimento global --um produto das emissões
de gás carbônico de origem humana-- é responsável
por metade (0,45º C) da temperatura extra que as águas do Atlântico
tropical registraram em 2005. Efeitos do El Niño ficam com 0,2º
C da cota, e a oscilação multidecadal com apenas 0,1º C,
na estimativa menos conservadora.
Apesar da aparente simplicidade dos cálculos, os cientistas usaram
grande quantidade de dados no estudo. Para definir um padrão de comparação
com 2005, recorreram a um histórico de temperaturas oceânicas
e dados climatológicos pelo período de 1900 a 1970.
A exemplo de qualquer trabalho que ameace a estratégia do governo norte-americano
de atacar evidências contra a culpa humana pelo aquecimento global,
o estudo de Trenberth já virou alvo de críticas.
Dessa vez, porém, os ataques parecem ser mais comedidos. "Alguns
cientistas de furacão já começaram a fazer críticas,
mas eles não me disseram nada sobre as informações no
estudo", diz Trenberth. "Eles parecem apenas não gostar do
nosso resultado."
Para
o climatologista brasileiro Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas
Espaciais, o trabalho de Trenberth e Shea é "muito relevante"
porque é capaz de quantificar os impactos do aquecimento global nos
extremos climáticos.
"Eles fizeram simulações do efeito deste quase meio grau
centígrado na intensidade do Katrina e chegaram à conclusão
de que o vento máximo foi cerca de 7% mais forte", diz Nobre.
"As chuvas, ressacas e inundações foram maiores do que
se a temperatura do mar não estivesse este antropogênico 0,5º
C mais quente."
Trenberth diz esperar que seu estudo ajude a estimular medidas para redução
da emissão de dióxido de carbono, mas reverter a tendência
de ocorrerem estações de furacões comparáveis
à de 2005 será um processo demorado.
"Os oceanos perdem calor muito vagarosamente", explica. "Por
isso, o nível do mar e as temperaturas oceânicas devem subir
lentamente pelos próximos cem anos, mesmo que se altere todas as emissões
dentro de 50 anos."
RAFAEL GARCIA da Folha de S.Paulo - 28.06.06